sexta-feira, 16 de março de 2012

Água da Paz

Chico já estava cansado. Trabalhava, lutava no centro, fazia caridade, escrevia quase por compulsão e continuava desacreditado. Ele reclamava dos incrédulos, se queixava dos comentários envenenados e se entregava à reza. Após uma das várias orações, Maria João de Deus volto a cena e, em vez de um conselho, sugeriu um remédio: - Meu filho, para curar essas inquietações, você deve usar água da paz. Chico saiu à procura do remédio em todas as farmácias de Pedro Leopoldo . Nada. Recorreu a Belo Horizonte. Nada de novo. Ao fim de duas semanas, comunicou à mãe o fracasso da busca. A aparição ensinou: - Não precisa viajar você poderá obter o remédio em casa mesmo. Pode ser a água do pote. - Como assim? - Quando alguém lhe fizer provocações, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. Não a lance fora e engula. Enquanto persistir a tentação de responder, guarde a água da paz banhando a língua. Chico engoliu a lição do silencio. E digeriu. Nessa noite, sentiu o braço movido por alguém, tomou o lápis e despejou os versos: “Meu amigo, se desejas pás crescente e guerra pouca ajuda sem reclamar e aprende a calar a boca” Casimiro Cunha, poeta de Vassouras, morto em 1914.

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